Você já passou por acessos de raiva e irritação, crises de ansiedade, sentimentos de culpa e descontrole emocional. Quando você travou um diálogo com alguém durante esses momentos, na maioria das vezes as coisas não se saíram bem. Acusações, rispidez, ofensas, silêncio, choro, humilhação, entre outros, foram os resultados desta comunicação. No final as duas partes ficaram mais distantes umas das outras.

Não é preciso ser assim. Existe uma outra forma de comunicação que permite que as duas partes se conectem e aprofundem sua relação. Ela se chama Comunicação Não Violenta e quero usar esse texto para apresentá-la para você.

A CNV é um método de comunicação que busca o aprofundamento do diálogo. Aprofundar aqui significa expressar seus reais objetivos e necessidades com sinceridade e transparência. Do lado do ouvinte significa escutar empaticamente o outro. Esse é o modelo da comunicação na CNV: expressão sincera e escuta empática. No final as duas partes ficam mais próximas umas das outras.

Um pai pode estar irritado porque deseja descanso e sossego depois de um dia estressante de trabalho, mas ainda precisa cumprir a obrigação de dar banho em seus filhos. Eles por sua vez estão enfurnados no vídeo game e não desatam pé de lá, apesar dos pedidos insistentes do pai. O “diálogo” que resulta daí é um grito irritado do pai: “Já pra banho vocês dois!”.

O funcionário terminou uma tarefa fora do prazo, por conta de inúmeros fatores, entre eles a dependência de outras pessoas para a conclusão da tarefa, sua inexperiência em uma parte do trabalho, outras tarefas urgentes que apareceram durante o período, etc. Na reunião de acompanhamento do projeto, seu chefe pergunta: “Quem foi o culpado por não entregarmos isso no prazo?”.

O marido chega em casa do trabalho, louco para tomar um banho e comer alguma coisa. A esposa, animada com algumas conquistas que teve durante o dia, corre para contar a ele as novidades. Contudo o marido já foi para o banho, dispensando-lhe apenas um “boa noite, amor” desanimado. Ela chega no banheiro e sentencia: “Você não se importa mais comigo!”

Porque agimos assim? Porque nossa comunicação precisa ser agressiva e destrutiva? Porque falamos como se estivéssemos em uma guerra, julgamento ou jogo, onde um lado deve vencer e outro perder?

A realidade é que somos educados assim. Somos constantemente lembrados de que a vida é uma competição. Seja nos meios de comunicação, através de filmes, novelas, jornais, livros, músicas, etc. ou nos espaços onde convivemos e aprendemos (família, escola, trabalho, igreja, etc.).

Marshal Rosenberg foi um psicólogo que pensou diferente. Ele se perguntou quais as características das situações onde pessoas se sentiam conectadas e em harmonia, e das situações onde havia rancor e desarmonia. A resposta para essas perguntas estava na forma de comunicação que era utilizada.

Daí ele criou a CNV e começou a utilizar esse método em suas consultas e mediações de conflitos. Com o sucesso destas experiências resolveu escrever um livro, chamado Comunicação Não Violenta, para ensinar o método para outras pessoas.

Comunicação Não Violenta

Não pretendo explicar o método neste texto para não deixá-lo muito longo. O método em si é bastante simples de entender, porém bastante difícil de aplicar. Basta dizer que você irá precisar de doses generosas de reflexão e autoconhecimento. Isto só é alcançado dedicando tempo para si mesmo.

A CNV trouxe muita paz e harmonia em minhas relações. Espero que também traga às suas. De minha parte quero contribuir com uma série de textos sobre CNV. O próximo será sobre o método. Se quiser aprofundar o conhecimento leia o artigo do Fred Mattos sobre o assunto.


seal