Ernesto sai do chuveiro. Os gritos aumentam de intensidade. Nem bem acabou de se secar e volta à realidade. As brincadeiras dos dois filhos fazem com que se esqueça daquele senhor maluco e sua história de incômodo, estímulos e necessidades.

Entra na cozinha. Sua esposa está preparando o jantar. Sons abafados de luta no quarto chamam sua atenção. Ele vai conferir.

Quando chega no quarto, os dois estão se estapeando. Bruno está praticamente enforcando o irmão mais novo. Ele corre pra acudir.

— Parem! Estão malucos? Alguém pode se machucar! Afasta os dois com energia.

— Foi ele que começou!

— Mentira! Foi ele! Os dois irmãos voltam a se engalfinhar.

— PAREM COM ISSO! O grito parece um trovão.

Sua esposa vem da cozinha enxugando as mãos. Bruno está chorando em um canto do quarto. Guilherme soluça deitado na cama.

— Vamos jantar, diz sua esposa com calma.

Os dois meninos voam pra mesa. Mais pra se afastar da presença do pai do que propriamente com fome.

— Você precisa pegar leve com as crianças, Ernesto. Nice olha sério pra ele.

— Mas você não viu? Iam acabar se machucando!

— Mas não precisa fazer desse jeito, amor.

Não bastasse se sentir culpado, agora estava com vergonha pelo que fez com os filhos. De novo.

— Vamos jantar. Depois peça desculpas a eles. E desamarra essa cara porque está parecendo um nó de marinheiro. Pelo menos ela não perdeu o bom humor que o fez se apaixonar.

— Tá bem, tá bem…

Agora está na cama com Marisa se preparando pra dormir. Não consegue parar de pensar na briga com os filhos. Quase sempre é o mesmo roteiro: as crianças brigam, um dos dois se excede, ele fica com medo de alguém se machucar, daí usa a força. O pior é que os filhos acabem se afastando dele. Mas não tem jeito, os filhos vão acabar se machucando desse jeito. Ele precisa ser enérgico nessas horas! Mas porquê se sente tão mal depois que acontece o evento? Será que existe outra maneira de tratar dessa situação sem bater ou gritar?

A imagem do velho volta a sua consciência…

— O que te incomoda, meu filho?

Adormece pensando em como a conversa com o velho tem a ver com as brigas que têm com os filhos. Precisa achar uma maneira  de encontrá-lo novamente.


PS. Essa é a segunda parte de uma história sobre Ernesto e seu encontro com uma pessoa que irá transformar sua vida apresentando-lhe uma nova maneira de se comunicar e entender suas emoções. A primeira parte foi publicada há um ano atrás. Estou planejando lançar um capítulo por mês. Se quiser saber como vai se desenrolar a vida do Ernesto a partir daqui, por favor deixe seu comentário abaixo.