Metas subjetivas são metas baseadas em algo intangível. Amor, qualidade de vida, equilíbrio emocional, felicidade, organização pessoal, energia, etc., são conceitos intangíveis, abstratos. Um objetivo baseado nestes conceitos seria por exemplo “amar mais minha esposa”. Uma definição de meta para esse objetivo (usando SMART) nos levaria a procurar por detalhes que tornassem o objetivo atingível e viável. Um desses detalhes é o M do SMART: como Mensurar o progresso deste objetivo. Daí vem a pergunta: consigo medir o nível de amor que tenho com minha esposa? O que nos leva ao título: como medir uma meta baseada em conceitos intangíveis?

Douglas Hubbard tem a resposta

Posso dizer a você: sim, é possível medir o amor que você tem com seu parceiro. Ou qualquer outro conceito subjetivo que seja importante para você. Digo isso baseado no estudo de Douglas Hubbard, autor do livro Como Mensurar Qualquer Coisa, encontrando o valor do intangível nos negócios (não estou falando de negócios, mas o estudo se aplica também na vida).

O sr. Hubbard afirma que existe um preconceito muito comum nas pessoas quando falamos em medir algo. Quando pensamos em medir algo, já pensamos em resultados precisos e exatos. Porém o objetivo de uma mensuração não é acertar na mosca, mas sim reduzir o grau de incerteza que tínhamos quando começamos. Portanto, medir qualquer coisa (até os intangíveis) é reduzir a incerteza, o que pra mim nada mais é do que aprender.

Fatos e observações

Tá, Daniel, tudo muito bonito, mas como você mede se está amando mais sua esposa? Douglas também tem uma afirmação importante sobre esse ponto: se podemos avaliar esse conceito intangível (seja ele bom, ruim, interessante, legal, excelente, sofrível, etc.), então encontraremos fenômenos observáveis (fatos) que nos levarão a essa avaliação.

Voltemos a meu exemplo, amar mais minha esposa. Quando tenho noites românticas com ela aumenta a minha percepção de que a estou amando mais. Então posso considerar que o fato “noite romântica com minha esposa” me leva a avaliar positivamente o grau de amor que tenho com ela. Melhor: se eu aumentar a quantidade dessas noites românticas considerarei que estou amando mais!! É claro que isso é um exemplo: sua percepção de amar mais pode diferir muito da minha.

E aí novamente temos um preconceito: achar que o conceito Amor (ou qualquer outro conceito subjetivo) possui uma definição universal. Ora, se é um conceito subjetivo, então seu significado é dado por quem o percebe (o sujeito). Uma dica para descobrir que fatos devem ocorrer para o seu caso é perguntar: o que precisa acontecer para melhorar sua percepção? Outra dica é perguntar para a(s) pessoa(s) envolvidas.

O que quero dizer é que para medir metas subjetivas (amar mais) devemos observar a ocorrência de fatos (noites românticas) que nos levam a julgar positivamente o conceito intangível (amor).

Uma série de hipóteses validadas

Então para saber se estou progredindo, eu preciso medir a existência daqueles fatos que considero importantes para aumentar meu grau de avaliação. No caso do progresso da meta “amar mais minha esposa” preciso observar um aumento na ocorrência do fato “noites românticas”. Porém, depois de um mês de acompanhamento da meta através do pulso, posso descobrir que mesmo com o aumento das ocorrências de noites românticas, não percebi (nem minha esposa) uma melhora no grau de amor. E agora?

Lembra do que o sr. Hubbard falou sobre reduzir a incerteza? O que aconteceu aqui foi descobrir que aumentar o número de ocorrências de noites românticas não irá ajudar a alcançar a meta. Reduzimos a incerteza sobre a estratégia que deveríamos adotar para “amar mais”. Então medir o progresso de metas subjetivas é reduzir a incerteza que temos sobre como alcançá-las. No final das contas devemos considerar que a estratégia para atingir uma meta nada mais é do que uma série de hipóteses, e essas hipóteses serão validadas através dos indicadores de progresso.

Conclusão

Para que um indicador mostre seu progresso em direção a metas subjetivas ele deve revelar a você a existência de fenômenos observáveis em sua rotina. Além disso, a existência desses fenômenos deve reduzir a incerteza de que você está no caminho certo. Se você continuar perdido, achando que não está fazendo progresso, cabe avaliar se o indicador é de fato relevante e se a resposta for negativa descartá-lo.

Um exercício para definir indicadores de metas subjetivas

Abaixo descrevo um exercício para ajudá-lo a definir seus indicadores de progresso para metas subjetivas.

  1. Pense numa meta subjetiva e anote o conceito abstrato associado. Exemplo de meta:  melhorar a qualidade de meu trabalho como advogado. Conceito: qualidade do trabalho.
  2. Dê uma nota de 0 a 5 para sua percepção atual em relação ao conceito abstrato associado à meta. Exemplo: de 0 a 5 como você se sente em relação a qualidade do trabalho? 2.
  3. Dê uma nota de 0 a 5 para a percepção que deseja adquirir ao final do prazo da meta. Exemplo: de 0 a 5 como deseja estar em relação à qualidade do trabalho no final de 3 meses? 4.
  4. Agora pense no que precisa acontecer concretamente para aumentar sua percepção em um ponto da escala? O que você e as pessoas envolvidas irão observar? Dica: pergunte a elas…

Estas observações serão seus indicadores de progresso. Tenha em mente contudo que são apenas hipóteses da estratégia que precisará adotar para alcançar a meta.


Se você gostou ou não gostou do texto, por favor, entre em contato. Vou ficar muito feliz de conversar com você. E você, possui alguma meta subjetiva? Quer me contar?