Sempre quando converso com alguém sobre coaching faço um paralelo com a fotografia. Uso uma foto de uma pessoa caminhando com o horizonte se descortinando a sua frente. Destaco especialmente o papel do fotógrafo e do coach. Quais características destes dois profissionais que me faz compará-los?

A singularidade do olhar

A principal característica do fotógrafo que também encontro no coach é a capacidade de apresentar um outro olhar a uma situação da vida. Esse segundo ponto de vista, somado ao seu próprio, faz toda a diferença na interpretação e avaliação dos momentos que passamos.

A maneira do fotógrafo apresentar seu ponto de vista é a foto. É na fotografia que somos confrontados com o olhar de outrém, e percebemos as diferenças entre nossos pontos de vista.

Já o coach mostra seu olhar através das perguntas. Quando ele faz perguntas ao dono da meta ele está dirigindo um foco diferente à situação apresentada. Por exemplo, quando alguém numa festa diz “porque ninguém me escolhe para dançar?”, podemos orientar o foco da mesma situação alterando a pergunta para “o que preciso fazer para que alguém me escolha para dançar?”

O foco define a sorte

Na relação estabelecida entre coach e dono da meta o foco está voltado para:

  • a AÇÃO – o encontro entre os dois sempre termina com algumas ações semanais que irão aproximar da obtenção dos resultados.
  • POSITIVIDADE – a comunicação é baseada no aprendizado e na celebração dos momentos que acontecem durante o processo.
  • PROTAGONISMO – é se tornando responsável por suas decisões e atos que nos tornamos protagonistas de nossa história.

Daí acontece uma coisa muito interessante…

Quando colocamos foco em ações e resultados positivos cujo protagonismo é nosso definimos nosso próprio sucesso e por consequência, nossa sorte!

No coaching, o momento de tirar a foto é a sessão semanal, que particularmente chamo de tomada de pulso. Se tiver interesse em conhecer o que acontece numa sessão semanal, leia meu artigo sobre o assunto.

Sem imposições ou julgamentos

Outra semelhança entre os dois papéis é a maneira como o outro olhar é apresentado. Tanto o fotógrafo quanto o coach não impõem seus olhares sobre o interlocutor. Um faz uma foto. A interpretação é sua. Outro faz uma pergunta. A resposta é sua também! E aqui fica a principal diferença entre coaching e outros processos:

A ausência de julgamento é o cerne da relação estabelecida pelo coach com o dono da meta.

Condição fundamental para a existência do coaching

Para existir um processo de coaching é preciso que o coach não tenha qualquer interesse nos benefícios alcançados com a obtenção do resultado pelo dono da meta. O interesse do coach é na pessoa e na felicidade da mesma. Por isso é tão difícil realizar coaching com amigos e parentes. Mas se você tomar consciência dessa limitação, é possível e também muito enriquecedor o coaching com eles. Digo isso por experiência própria: o coaching que tenho feito com meus dois irmãos tem enriquecido muito nossa relação.

Conclusão

Fotógrafo e o coach apresentam o OUTRO olhar de que precisamos para refletir nossa vida. A maneira com que apresentam esse olhar deve ser desprovida de julgamentos, avaliações e interesse nos benefícios com a obtenção dos resultados do outro. Os instrumentos que usam para isso são a foto e a pergunta.

Exercício

  1. Pense numa situação difícil: algum problema que está enfrentando ou algum momento de bloqueio e paralisia.
  2. Imagine como seria uma fotografia dessa situação: se ela fosse fotografada por alguém, como ela seria? Pense nos elementos que fariam parte da foto: locais, pessoas, objetos, expressões de rostos, etc. Pense também nas características da foto. Ela é colorida ou preto e branco? Retrata algum movimento, ação?
  3. [opcional] Você consegue desenhar essa foto que imaginou?
  4. Reflita por alguns minutos sobre a foto que você tirou. Deixe ela bem viva em sua memória (se você a desenhou, melhor ainda)
  5. Agora pense numa nova fotografia, onde o problema, bloqueio, impedimento, paralisia, etc. já foi resolvido. Que elementos (locais, pessoas, expressões, objetos, movimentos, cores) mudaram nesta nova foto?

Uma singela homenagem a fotógrafos e coaches

Este texto também é uma homenagem a todos os fotógrafos e coaches que lançam olhares e perspectivas diferentes na vida de cada um de nós.

Homenageio os fotógrafos na figura de dois grandes amigos: um de longa data, João Paulo, e outro mais recente, Wanderley, autor da foto que ilustra esse texto. Irmãos, as fotos de vocês me inspiraram a buscar olhares e pontos de vista diferentes nas mais variadas situações da vida. Obrigado, fotógrafos!

Minha homenagem aos coaches se dirige particularmente ao Manoel Pimentel (e que também é fotógrafo!), que foi quem falou pela primeira vez sobre o tema num distante Agile Brasil na PUC\RJ e depois aprofundou o assunto na turma do curso de Coaching Aplicado a TI. E também ao Roberto Mattoso, coach de vida em Niterói, que foi o instrutor do primeiro módulo do curso Professional Coaching pela Abracoaching que fiz no final de 2013. Sua postura de amor à vida e à profissão coach inspirou a todos da turma. Ele me fez acreditar no slogan Coaching de Verdade!. Obrigado, coaches!

E aí, gostou, não gostou? Quero saber! Que tal me contar nos comentários? Abraço e até o próximo texto.