Sentado no ônibus indo pro trabalho. Procuro algo pra ocupar o tempo durante o trajeto. Leio um livro. Escrevo um texto. Zap-zapeio (existe esse verbo?). Ouço música. Respiro profundamente. Faço Ho’opponopono. Reclamo do trânsito. Troco minha pulseira de posição. De repente olho pro lado e vejo uma menina levantando o celular. Buscando seu melhor ângulo, sua melhor pose. Celular pra cima. Ajeita a franja. Celular pro lado. Prepara o sorriso. Celular pro outro. Retoca a maquiagem. Um, dois, três e clique, clique, outro clique. Ela estava, é claro, fazendo uma selfie. E ninguém, é claro, estava reparando. Esse ato se tornou tão comum no cotidiano que até virou um hábito. E aí me veio uma reflexão: e se usássemos esse mesmo processo pra nos acostumarmos a fazer uma selfie de dentro?

Convenhamos. O cara que inventou a câmera frontal no celular mandou muito bem né. Dentre uma série de coisas que podemos fazer com ela, a selfie deve ser de longe a campeã (também teve a ajudinha do outro cara que inventou o pau de selfie). Uma selfie serve para registrar um momento, um lugar que estivemos, um encontro, um objeto, uma conquista, uma ocasião especial etc. Ultimamente tem gente usando até como espelho, para ver se sua imagem está adequada às suas expectativas. Isso porque quando fazemos uma selfie tiramos uma foto de nossa imagem exterior. Uma imagem que representa como existimos e como nos vemos lá fora. É uma selfie de fora.

E o nosso lado de dentro? Quando vamos dar atenção a ele? Como seria bom se pudéssemos pegar cinco minutos por semana para isso. Minha proposta é uma reflexão sobre o ato de realizarmos uma selfie de dentro. Ainda não tenho respostas (terei um dia?), apenas perguntas. Aqui vão elas…

Quando vamos separar um tempo para tirar uma foto no nosso interior?
E como seria o registro do momento de nosso mundo interior?
Como será a imagem que fazemos de nós mesmos?
Estamos nos sentindo bonitos por dentro?
Nosso sorriso de uma foto de fato é um sorriso autêntico?

E como seria a preparação de uma selfie de nosso mundo interior?
Ao que equivaleria procurar o melhor ângulo de nosso lado de dentro?
Ao que equivaleria preparar o sorriso, ajeitar a franja, retocar a maquiagem?

Seria olhar minhas emoções naquele exato momento?
Seria verificar minhas necessidades naquele instante?
Seria responder minhas grandes questões?
Meus sonhos estão sendo perseguidos?
Qual é minha missão atual? Estou vivendo se forma a cumprí-la?
E o que importa pra mim hoje? Minha imagem exterior está refletindo essas prioridades e valores?

Outro fator importante numa foto é a luz. Como está essa luz dentro de nós? Como estamos iluminando nossa essência? Nosso mundo interior está repleto de luz?

Reflita sobre essas perguntas. Comente suas descobertas. Tire uma selfie de seu interior.